Interferências

_

Interferências, fevereiro 2016

Elisa Luna del Valle

As obras de Elisa Luna Del Valle resultam de investigações de um mundo em que o movimento se infiltra na paisagem. Tem origem em acidentes cotidianos que via na prensa de seu pai, quando os tipos de padrões que ele utilizava nas matrizes apareciam nas impressões das imagens como erros, mas como erros hipnóticos. A superposição de tramas nas impressões  desprezadas, cria outro padrão muito diferente e mais complexo que os originais, que se instala como um abismo entre  o que eram e o que se vê ao final. As tramas se superpõem e interferem entre si, mas não são imagens de interferências, são “interferências”. Os defeitos nas obras de dois ou três dimensões parecem documentar o descobrimento de um erro, o princípio subjacente do mundo. Suas obras nos enfrentam com a sensação de estar ante algo conhecido e  desconhecido ao mesmo tempo, como se estas imagens revelassem alguma lembrança  que não se pode precisar com exatidão.  A ilusão ótica que gera movimento infiltra uma espécie de distância trágica. São obras que permanecem liminares, misteriosas, tranqüilas, problemas técnicos que representam alguma verdade, e “por aí” sempre mais distante de nosso alcance.

Gabriela Boer